Refletindo sobre as etapas que levam a produção de uma pesquisa científica

Uma das coisas que acho mais interessante de dar aula é poder usar esse espaço para refletir sobre as coisas que gosto, o que venho estudando e exercitar na tentativa de contar uma história para o outro como eu mesmo entendo os elementos estou procurando articular.

Tenho experimentando em algumas aulas anotar as ideias conforme elas vão sendo mencionadas e, nesse exercício, vou procurando estabelecer relações entre elas que, muitas das vezes, eu mesmo nem sequer tinha percebido ou observado enquanto produzia o material das aulas, lia os textos de referência e fazia minhas anotações.

Ou seja, confirma-se mais uma vez a ideia de que ensinar é um espaço extremamente privilegiado de aprender, sobretudo quando fazemos desse exercício um caminho de reflexão, um espaço de aprendizado e nos colocamos na postura de ouvirmos a nós mesmos enquanto a experiência se traduz. Ensinar é experimentar a si mesmo em um exercício de narrativa de suas ideias, da maneira como você entende os conceitos complexos que procura articular e do inusitado que surge quando essa história é contada.

Bem, hoje pela manhã, eu fiz a introdução de uma disciplina de tópicos no curso de Gestão da Informação da UFG e, nessa edição da disciplina, estou focando em métodos analíticos e estatística aplicada, o que é algo que dialoga bastante e mesmo complementa a história dos métodos digitais que temos experimentado por aqui neste blog.

No decorrer da aula, fui produzindo essa anotação que publico abaixo e fui vendo ao decorrer da narrativa que ela servia de apoio a um jeito de explicar essas etapas e passos do processo de pesquisa de uma forma bem interessante.

anotações do fluxo da pesquisa científica nas ciências sociais aplicadas

Começando pela ideia de que pesquisar é o exercício de modelar eventos de interação humana na área de Ciências Sociais, fui entrando na visão de que essa modelagem depende de sua capacidade de observação de regularidades ou irregularidades (o exercício do olhar do analista, algo que quero desenvolver com mais calma por aqui e produzir várias anotações que dialogam com uma visão mais fenomenológica da ciência que tenho experienciado), o que nos leva a necessidade de classificar segundo algum esquema de conhecimento aquilo que observamos, daí nos levando a necessidade de construirmos variáveis operacionais para sistematizar o que pode e deve ser observado nesse esquema de conhecimento no qual operamos, daí vamos analisar as relações existentes e não-existentes entre as variáveis operacionais, procurando encontrar leis de relação entre elas e conjuntos de leis que possam se desdobrar em potenciais teorias sobre fenômenos de interação humana.

Um jeito simples, aplicado, claro e direto de colocar em questão como entendo o fazer ciência e como isso precisa ser articulado para que possamos produzir pesquisas interessantes, fundamentadas empiricamente e que permitam evoluir aspectos importantes do campo social com o qual queremos lidar.

E vamos em frente!

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