Anotações sobre princípios ontológicos da pesquisa em Métodos Digitais

Na sexta-feira da semana passada, realizamos um encontro de nosso grupo de estudos e discutimos o texto apresentado no seminário apresentado pelo Ernesto.

Após uma discussão inicial, fiz algumas anotações para procurar ressaltar alguns dos aspectos que considero chave para iniciar nossos estudos, sobretudo procurando entender que objeto é esse e como podemos fazer um olhar ontológico para o fenômeno do Big Data enquanto formas de sociabilidade e modos de relações sociais que nos interessam investigar.

Segue aqui a imagem da anotação:

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Resumo aqui os pontos principais dessa discussão:

  1. se estamos de fato falando de uma mudança de paradigma em relação aos métodos tradicionais de pesquisa em ciências sociais, precisamos entender o que significa mudança de paradigma e indagar se de fato estamos diante disso ou não. Conceituamos aqui mudança de paradigma como uma mudança na maneira que pensamos, na forma como vemos mundo e na relação entre os elementos que constituem o mundo social que enxergamos. Temos uma postura ontolológica de partida aqui, pois estamos falando quais são esses elementos e como os pensamos em nossa pesquisa;
  2. os objetos ontológicos que vamos prestar atenção e avaliar se de fato estão mudando em torno de novos paradigmas são as coisas (os elementos da realidade), os agentes (os atores da realidade), o tempo (a maneira como as coisas se passam), o contexto (o que permite relacionarmos esses atores, coisas e tempo) e as causas (o que faz com que a sociabilidade se produza e reproduza no espaço social). Percebemos nessa discussão que esses entes precisam ser considerados, discutidos, explicitados e contextualizados em pesquisas sobre o mundo digital. Quando olhamos para os fenômenos relacionados ao Big Data, percebemos que há várias mudanças e novas entidades que se apresentam no espaço social e que antes não estavam ali disponíveis. Para entender essas entidades, conseguir falar delas e produzir conhecimento sobre isso é que os métodos digitais são necessários e é com base nisso que precisamos produzir pesquisas metodológicas que nos ajudem a contextualizar ontologicamente o que estamos vendo, falando e pensando;
  3. os binários dados/vida, mente/máquina e indução/dedução são elementos explicitados de polaridades que precisam ser percebidas como possíveis pontos de atenção nessa contextualização ontológica que estamos nos referindo. A atenção é traduzida em entendermos que os dados das redes sociais são um conjunto reduzido e limitado em relação a vida social, que sempre se manifesta em uma complexidade para além da totalidade dos dados, fazendo com que não possamos concluir que os dados são suficientes para entendermos a vida social em sua plenitude. Eles são fundamentais para vários fenômenos, mas limitados em sua abrangência. Já a mente possui uma complexidade cognitiva muito maior do que os algoritmos que podem ser produzidos pelas máquinas e é importante entender que a pesquisa digital é também limitada por esses algoritmos, sendo fundamental percebermos que eles nunca darão conta de explicar por si só essa complexidade, sendo outras formas de leitura fundamentais para a análise. Por último, vale reconsiderar que num universo onde temos muitos dados a pesquisa indutiva faz muito sentido, pois não é necessário seguir sempre o fluxo clássico da pesquisa dedutiva, onde elaboramos perguntas, criamos hipóteses e vamos com isso encontrar possíveis respostas. Os dados já estão coletados nos fenômenos do Big Data, logo podem ser cruzados, tendências podem ser encontradas e novas perguntas surgirem daí.

E assim seguimos nosso estudo, procurando clarear do que falamos e como falamos! Semana que vem tem mais! 😉

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Apresentação do Seminário no Grupo de Estudos de Métodos Digitais sobre o artigo Ontologies, methodologies, and new uses of Big Data in the social and cultural sciences

Em nosso grupo de estudos, que tem se reunido todas as sextas-feiras das 14:00 às 17:00 no MediaLab da UFG, temos feito um estudo sistemático de um conjunto de artigos que têm por objetivo contextualizar o significam os métodos digitais, que abordagem teórica é necessária para entendermos nosso objeto de pesquisa e como devemos lidar com ele.

Para isso, escolhemos seguir sistematicamente em leituras e discussões o número especial da revista Big Data & Society (que é uma revista muito interessante e faz uma interface entre a computação e as ciências sociais na análise do fenômeno big data) chamado Assumptions of Sociality: A Colloquium of Social and Cultural Scientists. O número traz um conjunto bastante interessante de artigos que procuram situar as premissas de sociabilidade desse tipo de estudo, exatamente o que estamos procurando desenvolver em nossas pesquisa no ano de 2016.

Segue abaixo a primeira apresentação do artigo Ontologies, methodologies, and new uses of Big Data in the social and cultural sciences, que apresenta o número especial e faz algumas colocações introdutórias fundamentais para nosso estudo.

A Sociologia digital:um desafio para o século XXI

Slides referentes ao seminário realizado no dia 01/09, na aula de Métodos Digitais para Análise de Dados.

Os slides foram feitos para explicar o artigo A Sociologia digital:um desafio para o século XXI, do autor Leonardo Fernandes Nascimento. O texto aborda o campo da Sociologia digital como área a ser estudada, relatando que as tecnologias digitais representam um grande desafio para a Sociologia no século XXI. É descrito que as teorias metodológicas da Sociologia devem ser revistas, buscando abranger os big data e as contribuições e transformações advindas com a comunicação em massa nas mídias tecnológicas em geral.

Natália Francesca Marinho Ferreira de Amorim

Graduanda em Gestão da Informação UFG

Artigo para o seminário do dia 08/09: Métodos quantitativos e pesquisa em ciências sociais: lógica e utilidade da quantificação na explicação dos fenômenos sociais

Segue aqui o link para o artigo a ser discutido na aula do dia 08/09!

Plano de pesquisa do L3P com foco em métodos digitais para 2016 a 2019

Há aproximadamente 3 anos, iniciamos um trabalho forte de formação e pesquisa visando construir uma área e um laboratório de estudos analíticos com foco na dinâmica de interação em rede aqui na UFG.

Do fruto desse trabalho, surgiram disciplinas, projetos de pesquisa, minicursos, orientação de alunos e diversas experiências que têm sido elementos fundamentais da pesquisa científica, da inovação e da criação de um próprio caminho de estudos.

No exercício de sintetizar esse trabalho e, a partir dessa reflexão, visualizar novos caminhos e organizar os caminhos atuais, preparei a apresentação abaixo para discussão no grupo de estudos de métodos digitais da semana passada.

A discussão que fizemos procurou de início validar esse caminho como um caminho possível, como um foco de muitas de nossas ações e como uma forma de organizar o que temos feito atualmente.

Nos próximos passos dessa conversa, começaremos gradualmente a estabelecer algumas experiências, criar novos projetos e direcionar nossas ações para essas linhas de trabalho.

E seguimos ganhando corpo! 😉